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O Despertar da Primavera (2009-2010)

11/04/2011

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Esta é a primeira montagem do musical Spring Awakening que não é uma réplica da montagem original da Broadway (2006). É fato inédito que uma produção de sucesso, vencedora de 8 prêmios Tony, incluindo melhor musical do ano e melhor score, tenha recebido autorização apra ser feita em outro país com uma nova direção.

Geralmente os espetáculos de grande sucesso levam alguns anois após saírem de cena para que comecem a ser "licenciados" pelos autores sem a obrigatoriedade da cópia.

A esta modesta dupla de criadores brasileiros só interessa trabalhar com total liberdade. Quando amamos um musicla feito lá fora, muitas vezes pensamos: seria o máximo fazer isso no Brasil, mas não tem nada pra gente fazer, é melhor levar pronto. O que é uma obra acabada que faz com que texto e direção sejam um material úncio e indissociável deve, em nossa opinião, ser transportado como uma peça completa, reproduzindo direção, marcações, coreografias. Não era o caso de O Despertar da Primavera.

Embora fãs da montagem original, era possível vislumbrar ali as qualidades intrínsecas do texto e da música, muito mais talvez do que exatamente a montagem bastante autoral que se desenhava como um show de rock alternativo em contraponto à parte dramática.

A possibilidade de dar a nossa visão sobre a obra nos encantou e, graças à boa lábia de nossos produtores e - porque não? - a certo prestígio que já adquirimos depois de tantos trabalhos bem sucedidos na área de "reler" espetáculos da Broadway para nosso país, fomos autorizados a fazer o "nosso próprio" Despertar. Portanto o que assistirão aqui é, inteiramente, um novo espetáculo. Um risco.

Acreditamos na força das canções, de suas letras iconoclastas e poéticas, que ao mesmo tempo avançam a ação sem serem narrativas. Um material essencialmente dramático como o original de Frank Wedekind, a princípio distante anos luz do que se poderia imaginar para um espetáculo musical, torna-se, na genial adaptação de Steven Sater (também autor das letras), uma prova viva das infinitas possibilidades que o gênero musical oferece para expansões artísticas quando feitas com critério.







Tudo que Wedekind escreveu está ali: todos os personagens em seus dramas nada simples, todas as indagações revistas e ampliadas pelo poder de canções que jogam luz em aspectos algumas vezes mais profundos do que a prórpia peça original previa.

Assuntos como estupro, suicídio, incesto, não são adocicados pela música, muito menos escondidos pelo gênero musical: ao contrário, vêm à tona com uma força aterrorizante e uma poesia ao mesmo tempo crua e onírica. É um desafio colocar isto em cena sem a rede de proteção do "broadway style", se é que dá pra entender.

Era fundamental que o elenco tivesse idades no mínimo próximas das dos personagens. Não é uma peça para se fazer com trintões que se fingem de adolescentes. Fizemos testes com algumas centenas de candidatos e chegamos a um elenco que vai dos 16 aos 25 anos, a maior parte deles estreando em teatro profissional. Os rostos novos, tanto aqui como nas montagens em outros países, são fundamentais para que a plateia não duvide que aqueles jovens estão vivendo aquilo por que passam em cena, muito mais do que representando. É um truque, uma ilusão, mas a peça depende deste nível de credibilidade para funcionar. E que sorte termos já tanta gente preparada no Brasil para cantar e representar; como as coisas são diferntes de alguns anos atrás! Hoje é possível montar um espetáculo como este sem fazer concessões e facilitações na música ou na coreografia.

Temos tentado, nestes anos de trabalho com o teatro musical, alternar nossas experiências entre os grandes clássicos do gênero (A Noviça Rebelde, Sweet Charity), criações próprias (7 - O Musical, Beatles num céu de diamantes, Cristal Bacharach) e também incursões em espetáculos que representetm o que de mais arrojado se tem feito no gênero (Company, Avenida Q) em países onde ele é a força motriz do Teatro. O Despertar da Primavera pertence a este último grupo. Um musical que começou a ser desenvolvido por seu autores em 1999 e veio sendo aperfeiçoado em workshops e breves temporadas fora do circuito comercial até chegar finalmente à Broadway em 2006 e arrebatar crítica e público como um vendaval avassalador. Estávamos lá na época da preview, antes mesmo de as críticas saírem, e era possível sentir na pele o calor daquilo, a comoção na plateia, o sentido do "novo" sendo descortinado na nossa frente e na de centenas de outros espectadores boquiabertos. Era uma revolução, comparada posteriormente pelos críticos mais respeitados como algo que não se via desde o Company de Stephen Sondheim em 1970. Poder estar agora, menos de 3 anos após a estréia americana, trabalhando com este material, e mais que isso, dando nossa "opinião" artística com liberdade sobre o Despertar, é uma grande felicidade para nós e uma prova de que o Brasil não precisa mais olhar espantado para o "boom" dos musicais. O musical aqui já é adulto, já tem pernas próprias e pode caminhar para além da reprodução confortável de fórmulas e receitas.

Charles Möeller e Cláudio Botelho

EQUIPE:

Texto e Letras - Steven Sater
Música - Duncan Sheik
Direção Musical - Marcelo Castro
Arranjos Vocais - Annmarie Milazzo
Arranjos Adicionais - Simon Hale
Cenário - Rogério Falcão
Figurinos - Marcelo Pies
Iluminação - Paulo César Medeiros
Supervisão Musical - Cláudio Botelho
Design de Som - Marcelo Claret
Visagismo - Beto Carramanhos
Coordenação Artística - Tina Salles
Diretora Assistente - Paula Sandroni
Casting - Marcela Altberg
Produtores Executivos - Aniela Jordan e Luiz Calainho
Produtor Associado - Sergio Ajzenberg
Realização - Aventura Entretenimento e Divina Comédia
Direção - Charles Möeller
Versão Brasileira - Cláudio Botelho

ELENCO:

Alice Motta - Frida
André Loddi - Geord
Bruno Sigrist - Otto
Clara Verdier - Ina
Danilo Timm - Dieter
Debora Oliveiri - Mulher Adulta
Eduardo Semerjian - Homem Adulto
Eline Porto - Elise
Estrela Blanco - Anna
Felipe de Carolis - Ernst
Felipe Tavolaro - Rupert
Gabriel Falcão - Reinhold
Laura Lobo - Martha
Letícia Colin - Ilse
Lua Blanco - Mariana
Malu Rodrigues - Wendla
Mariah Viamonte - Thea
Pierre Baitelli - Melchior
Rodrigo Pandolfo - Moritz
Thiago Amaral - Hanschen
Thiago Marinho - Ulbrecht

Público:

RJ (2009/2010) e SP: 52.000 espectadores.
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