Na Imprensa - Clipping

A estrela escondida dos musicais cariocas

A produtora Aniela Jordan é uma das responsáveis pela realização de peças de sucesso na cidade.

12/01/2012

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Aniela Jordan pode ser considerada, hoje, a grande dama dos musicais do Rio. Mas, antes de estourar com as produções de "Ópera do malandro", "A noviça rebelde", "Hair" e "Beatles num céu de diamantes" - que acaba de reestrear no Shopping da Gávea -, entre outras, ela sonhava seguir os passos da irmã, a bailarina Dalal Achcar.

- Foi uma história engraçada. Assim que minha irmã montou uma companhia de balé, eu era a primeira da fila nos espetáculos que ela dirigia. Com o tempo, no entanto, fui ficando para trás, perdendo destaque. Até que, em 1975, ela montou "A Floresta Amazônica" e me deu o papel de uma árvore. Entendi o recado. Se nem minha irmã acreditava em mim, era porque eu não levava mesmo jeito - lembra, rindo.

Desiludida na empreitada como bailarina, mas ainda apaixonada pelo tablado, Aniela decidiu, então, ir para trás dos palcos.

- Comecei como assistente de iluminação, passei a iluminadora, entrei para o corpo técnico do Theatro Municipal e lá fiquei por 20 anos. Fui diretora de palco, diretora técnica e montei o departamento de produção - conta.

Mesmo satisfeita com o trabalho no Municipal, Aniela resolveu se lançar em um voo solo. Em 2003, abriu a Axion Produtores Associados, pela qual montou "Ópera do malandro", "Cristal Bacharah" e "Tudo é jazz!". Ela ingressava de vez no mundo dos musicais.

A escolha pela produção de musicais aconteceu naturalmente. Apaixonada pelos grandes espetáculos da Broadway, Aniela Jordan sentia falta de um espaço maior para esse tipo de apresentação no Brasil.

- Para mim, trabalhar com musicais era um sonho impossível. Mas as coisas começaram a mudar quando conheci Claudio Botelho e Charles Möeller. Quando trabalhava no Municipal, eu os convidei para fazer a tradução da opereta "Candide". Foi uma parceria tão boa que não desfizemos mais - afirma a produtora.

Desde 2008, os três e o empresário Luiz Calainho trabalham juntos como sócios da Aventura Entretenimento, que já realizou produções como "A noviça rebelde", "Hair" e "Um violinista no telhado", atingindo a marca de R$ 37 milhões em faturamento. A empresa, para este ano, já tem confirmadas as estreias de "O mágico de Oz", em junho, e "Musical Rock in Rio", em outubro. A Aventura também vai ajudar a produzir o desfile da São Clemente no carnaval, que abordará a história dos grandes musicais.

Para escolher as produções que vai trazer para o Brasil, Aniela conta que uma equipe faz diversas "viagens exploratórias" e assiste a dezenas de espetáculos. O grande diferencial da Aventura, segundo ela, é não realizar meras réplicas dos espetáculos originais.

- Nós compramos apenas os direitos de texto e música. Todo o resto é criado por aqui, pelo Claudio e pelo Charles - explica.

Aniela revela que, no entanto, ainda não tem planos para produzir seus musicais prediletos: "Billy Eliot" e "Wicked" (a história de "O mágico de Oz" contada pela perspectiva da bruxa) - sucessos permanentes na Broadway.

- São histórias que eu amo, mas que não são fáceis de montar - diz.
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